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Glossário

Acúleo: formação epidérmica rígida e aguda, similar a um espinho, mas mais curto e com base mais larga do que um espinho, e sem vascularização, permitindo que se desprenda com maior facilidade da planta.

Acuminado: relativo ao ápice de um órgão que se afina em ponta aguda e comprida.

Áfilo: sem folhas.

Alado: órgão provido de alas (expansões em forma de asas).

Alterna: filotaxia (disposição das folhas no caule) em que a planta apresenta uma folha por nó. A distância entre cada nó pode ser amplamente variável.

Aquênio: fruto simples, seco e indeiscente, relativamente pequeno e com uma única semente presa em apenas um ponto do pericarpo.

Arbusto: planta com 1,5 e 5 m de altura, com caule lenhoso e autossustentado, com dois ou vários ramos basais, ou um tronco de pequeno diâmetro que em geral se ramifica desde a base ou não muito acima dela.

Arista: prolongamento ou apêndice, relativamente rígido e delgado, geralmente inserida no ápice ou dorso de alguns órgãos (p.ex. em brácteas de Poaceae).

Árvore: planta de grande porte, superior a 8 m, resistente e lenhosa, com tronco nítido, sem ramos na parte inferior e com copa ramificada. As árvores pequenas foram separadas e tratadas como arvoretas.

Arvoreta: pequena árvore, entre 4 e 8 m de altura, com tronco de pequeno diâmetro, não ou pouco ramificado na base, e copa em geral pouco expressiva.

Baga: fruto simples, totalmente carnoso (inclusive o endocarpo) e indeiscente, quase sempre multisseminado, raramente com uma ou duas sementes (como na pitanga). Bicarpelar: gineceu formado por dois carpelos (folhas modificadas).

Bipinada: folha composta duplamente pinada. Os folíolos subdividem-se em foliolulos que surgem nas ramificações da raque.

Biternada: folha composta de 3 folíolos ternados; cada folíolo é formado por 3 foliolulos.

Cacho: inflorescência com eixo simples alongado, portando flores pediceladas, as quais saem de diversos níveis do eixo principal e atingem diferentes alturas.

Caduca: de duração efêmera, que cai precocemente.

Capítulo: inflorescência com eixo muito curto, mais largo ou achatado, formando um “receptáculo” onde se insere um conjunto denso de flores sésseis, rodeado por um conjunto de brácteas. Característico de Asteraceae, mas também ocorre em algumas outras famílias.

Cápsula: fruto simples, seco, deiscente, formado a partir de ovário com 2 ou mais carpelos unidos. Pode apresentar diversas formas e vários tipos de abertura. Carena: nome dado ao par de pétalas (em geral fundidas no ápice) no centro de uma corola de leguminosas faboídeas, geralmente envolvendo os órgãos reprodutivos. Carpelo: cada folha fechada que constitui o pistilo (ovário + estilete + estigma) e forma os óvulos na sua superfície interna.

Cartácea: consistência do limbo foliar próxima à de uma folha de papel comum (ofí- cio), intermediária entre coriácea e membranácea. O limbo, pouco espesso, pode ser curvado com pequeno esforço.

Cespitoso: relativo ao crescimento de algumas plantas que emitem caules de forma adensada, formando touceiras. Típico de certas Poaceae.

Ciátio: minúscula inflorescência formada por uma flor feminina nua, pedicelada e central, rodeada por várias masculinas reduzidas a um estame. Todo o conjunto é envolvido por um invólucro caliciforme de brácteas providas de glândulas. Ocorre somente no gênero Euphorbia.

Cladódio: caule com função fotossintetizante e/ou de reserva de água, geralmente em plantas áfilas ou com folhas transformadas em espinhos (p.ex. Cactaceae).

Colmo: caule não ramificado ou com ramos finos, com nós e entrenós bem destacados, podendo ser maciço ou oco. Típico de Poaceae.

Conchiforme: em forma de concha.

Cone: conjunto de esporofilos densos e espiralados sobre um eixo ou raque (ramo), como em Lycopodium spp.

Cordada: relativo à base da folha com lobos arredondados, similar à reentrância de um coração.

Cordiforme: em forma de coração.

Coriácea: consistência do limbo foliar que lembra couro, apresentando-se bem firme e sem muita água. Oferece maior resistência do que a cartácea para ser dobrada ou quebrada.

Corimbo: inflorescência cujas flores pediceladas partem de diversos níveis no eixo principal alongado e atingem a mesma (ou quase) altura.

Cúpula: receptáculo floral que se desenvolve e persiste no fruto, envolvendo a base deste. Assemelha-se a uma taça.

Digitada: folha composta com mais de três folíolos partindo de um ponto comum. Discolor: relativo à folha que possui a face superior e inferior com cores distintas. Dística: relativo à disposição das folhas no caule que formam um ângulo de 180º entre cada par de nós, formando um plano.

Domácias: pequenas depressões, membranas delimitando bolsas, ou tufos de pelos, usadas como abrigo por ácaros e pequenos insetos. Geralmente localizadas na face inferior do limbo e/ou na axila de uma nervura secundária mais desenvolvida com a principal.

Drupa: fruto simples, carnoso e indeiscente, quase sempre unisseminado, com caroço (endocarpo lenhoso que envolve a semente).

Erva: planta com caule tenro (não lenhoso), geralmente com até 1 m de altura. Pode ser terrícola, epifítica, aquática ou rupícola.

Escorpioide: inflorescência do tipo cimosa, com os eixos secundários partindo sempre do mesmo lado.

Espádice: tipo de espiga com raque espessa e carnosa, com grande bráctea (espata) na base dela.

Espata: bráctea que pode envolver a espiga num espádice ou simplesmente acompanhá-la, presa à base dela.

Espatulada: em forma de espátula.

Espiga: inflorescência com eixo simples alongado, portando flores sésseis ou subsésseis, situadas em diversas alturas sobre o eixo principal.

Espigueta: pequena espiga, típica de Cyperaceae e Poaceae, com flores protegidas por brácteas.

Esporângio: órgão que forma esporos no seu interior, com camadas(s) externa(s) de células estéreis.

Esporocarpo: “cápsula” globosa que envolve um ou mais soros; resulta da especialização dum indúsio (Salvinia spp.). Exclusivo de pteridófitas aquáticas.

Esporofilo: folha com esporângio(s) na sua superfície ou axila; folha associada à formação de esporos.

Esquizocárpico: fruto seco derivado de um ovário gamocarpelar que se fragmenta na maturação e seus carpelos separam-se portando as sementes.

Estaminódio: estame modificado, estéril, em geral sem antera.

Estipe: caule lenhoso cilíndrico, que geralmente não se ramifica, apresentando um tufo de folhas no ápice. Típico de Arecaceae.

Estipela: diminutivo de estípula. Pode ocorrer na base dos folíolos de folhas compostas, como em algumas espécies de Fabaceae.

Estípite: em Anthurium, aplicado ao pedúnculo da espiga entre a espata (bráctea da inflorescência) e o início da raque (eixo com flores).

Estípulas: partes basais de algumas folhas; apêndices basais (2) em geral filiformes ou triangulares (raramente laminares), pequenos, mais comumente situados em ambos os lados da base do pecíolo (laterais), ou entre pecíolos de folhas opostas (interpeciolares), ou unidos na porção final de um ramo (estípula terminal), ou ainda intrapeciolares (vide termo).

Estolão: eixo caulinar emitido pelas plantas que rastejam junto à superfície do solo a partir do ponto de sua germinação. Apresenta entrenós longos e, em cada nó, gemas e raízes, podendo se fixar nesses pontos.

Fasciculada: provida de fascículos.

Fascículo: pequeno grupo ou feixe de estruturas ou órgãos densamente dispostos num ponto, tais como de folhas e flores.

Folículo: fruto simples, seco e deiscente. Formado a partir de ovário com apenas um carpelo, ou em gineceu dialicarpelar. Abre-se na maturidade por uma só fenda.

Folíolo: o primeiro nível da divisão duma folha (composta) cujo limbo é segmentado, inserido na raque. Sinônimo de pina.

Foliolulos: subdivisão dos folíolos, que surgem a partir de ramificações da raque.

Galha: má-formação ou “tumor” desenvolvido pelas plantas em resposta a substâncias secretadas principalmente por insetos, ou por ácaros, nematódios, fungos ou bactérias.

Glabra: superfície sem pelos/tricomas.

Glomérulo: inflorescência com flores subsésseis a sésseis, muito próximas entre si, aglomeradas, formando um conjunto com configuração mais ou menos globosa (distinta de uma espiga).

Graminoide: termo genérico usado para se referir às plantas com morfologia similar às gramíneas. Aplicável não apenas aos integrantes da família Poaceae, mas também a outras famílias, tais como Cyperaceae e Juncaceae.

Hilo: cicatriz existente no local onde o funículo (canal de ligação com a placenta ou parede ovariana) se prendia ao óvulo e mais tarde à semente.

Imparipinada: folha composta pinada terminando com apenas um folíolo.

Indumento: termo genérico usado para se referir às distintas estruturas que podem cobrir um órgão, tais como pelos, cera, escamas, tricomas, etc.

Indúsio: estrutura similar a uma capa que protege os esporângios de um soro.

Interpeciolar: termo usado para indicar a localização das estípulas entre os pecíolos das folhas opostas ou mais raramente verticiladas, principalmente em Rubiaceae.

Intrapeciolar: indica a localização de estípulas com bases lateralmente ao pecíolo, mas dispondo-se as duas obliquamente no ângulo entre o ramo e o lado superior do pecíolo, e aí podem cobrir a gema axilar; isto ocorre em Erythroxylaceae, com folhas alternas, e Malpighiaceae, com folhas opostas, onde eventualmente pode ocorrer união entre as estípulas da mesma folha pelo lado junto à gema axilar. Como elas crescem para “cima” do pecíolo e parte de cada uma fica entre o pecíolo e o ramo, a ideia de “dentro” (intra) do pecíolo é dada neste termo, mas é ilógica tal denominação, embora a posição destas estípulas seja realmente distinta da grande maioria das demais.

Juncoide: termo genérico usado para se referir às plantas com morfologia similar aos juncos. Aplicável não apenas aos integrantes da família Juncaceae, mas também a outras famílias como Cyperaceae. Refere-se a caules estreitos e compridos, em geral cilíndricos, ponteagudos, sem folhas mais desenvolvidas ou são confundidos com estas.

Lanugem: pilosidade fina e macia que recobre alguns órgãos ou estruturas.

Legume: fruto simples, seco e deiscente. Formado a partir de ovário com um só carpelo. Abre-se na maturidade por duas fendas.

Lenticelado: tronco ou ramo com pequenos poros ou aberturas na casca (periderme), às vezes também presentes em frutos, pecíolos e raques foliares, com função de aeração e trocas gasosas.

Ligulada: provida de lígula (corola gamopétala e zigomorfa das flores da periferia de um capítulo), pequena língua. Ocorre em Asteraceae.

Microfilo: tipo de folha primitiva, uninervado, de tamanho reduzido, encontrado exclusivamente nas pteridófitas mais primitivas (p. ex. Lycopodium spp.).

Monoclamídea: flor com apenas um conjunto de peças do perianto, ou cálice ou corola.

Mucronado: ápice foliar que termina de forma abrupta e em uma ponta relativamente curta.

Oblanceolada: folha com forma lanceolada invertida, onde a porção apical é mais larga e a base afilada.

Oblonga: folha com bordos praticamente paralelos na maior parte de sua extensão.

Obovada: folha com forma ovada, porém com a porção mais larga voltada para o ápice.

Obovoide: o mesmo que obovado, porém o termo é mais aplicado para órgãos não laminares, como para alguns frutos.

Ócrea: estrutura em forma de tubo que circunda o ramo acima do nó, similar a uma bainha. Resulta da soldadura das estípulas.

Opositifólio: em posição oposta a uma folha.

Oposta: filotaxia (disposição das folhas no caule) em que a planta apresenta duas folhas por nó, uma de cada lado, formando um ângulo de 180º entre suas bases. A distância entre um nó e outro é geralmente grande.

Ovada: folha com forma de ovo, com a porção alargada voltada para a base.

Palminérvea: nervação do limbo similar aos dedos na palma de uma mão aberta. Constituída por três ou mais nervuras primárias, ou uma principal e duas ou quatro ou mais secundárias bem destacadas, que divergem radialmente de um ponto único, na base do limbo ou próximo dela. As nervuras secundárias não atingem ao ápice.

Palmissecta: folha com recortes profundos que atingem a nervura central, formando unidades que partem de um mesmo ponto.

Paripinada: folha composta pinada terminando com um par de folíolos opostos.

Peciolulo: pecíolo dos folíolos de uma folha composta.

Pedicelo: eixo caulinar que sustenta a flor. Quando ausente, a flor é dita séssil.

Pedúnculo: eixo basal de uma inflorescência; parte sem flores do eixo dela, abaixo da raque; o “cabo” dela.

Peltada: folha em que o ponto de inserção do pecíolo se localiza em geral perpendicularmente ao limbo na porção central dele e não na margem dele.

Peniparalelinérveo: termo usado para designar o tipo foliar de algumas monocotiledôneas com limbo grande, tal como a da bananeira (Musaceae), onde há uma nervura central evidente, porém com as secundárias muito numerosas, finas e paralelas entre si.

Perianto: o conjunto de invólucros de uma flor (cálice + corola). Representa a parte estéril da flor.

Petaloide: estrutura com cor e textura similar a uma pétala.

Pinada: folha composta em que os folíolos (pinas) partem de diferentes pontos ao longo da raque, similar a uma pena. As folhas pinadas podem ser paripinadas ou imparipinadas.

Pinatissecta: folha simples com recortes profundos que atingem a nervura central, formando unidades dispostas ao longo desta nervura.

Pínula: subdivisão de pina (folíolo).

Placentação: termo utilizado para designar a disposição dos óvulos no ovário, e, em momento posterior, das sementes no fruto.

Prostrada: planta ou parte caulinar que se apresenta deitada sobre o solo.

Pseudobulbo: espessamento do caule, geralmente aéreo, com função de armazenamento de água, característico das orquídeas epifíticas.

Pseudoestípula: estrutura similar a uma estípula, porém de natureza distinta, em geral pequena folha formada a partir de gema axilar.

Pubescente: diz-se de órgão ou estrutura cuja superfície possui indumento com densos pelos finos e curtos.

Pulvino: base ou mais raramente ápice espessado do pecíolo, em geral associado a movimentos do limbo.

Raque: eixo onde se inserem os folíolos de uma folha composta ou as flores de uma inflorescência. O mesmo que ráquis.

Reniforme: em forma de rim.

Reticulada: termo usado para se referir à superfície de um órgão (p.ex. folha) que se apresenta recoberto por linhas conectadas que formam uma rede (malha).

Revoluta: folha com bordos enrolados ou voltados para baixo.

Rizoma: caule geralmente subterrâneo (ou aéreo em algumas epífitas) e aclorofilado, com crescimento em extensão (muitas vezes horizontalmente) bem maior que em largura, produzindo folhas e/ou ramos laterais (a partir de gemas) e raízes adventícias, com nós em geral menos afastados do que no estolão.

Roseta: o mesmo que rosulado.

Rosulada: folhas dispostas em espiral, geralmente basal, em nós muito aproximados, dando a impressão de que a planta não possui caule ou esse é muito curto.

Sapopema: raízes que se formam na base do tronco de algumas árvores (especialmente mais velhas), tomando o aspecto de tábuas perpendiculares ao solo que ampliam a base de sustentação da planta. O mesmo que raízes tabulares.

Séssil: termo usado para designar as flores sem pedicelo ou folhas sem pecíolo.

Soro: conjunto delimitável de esporângios quase sempre na face inferior de uma folha.

Subarbusto: planta com caule ou ramos relativamente lenhosos, com altura inferior a 1 m.

Tépalas: termo utilizado para substituir sépalas e pétalas, quando essas não forem bem distintas ou se existir apenas um verticilo externo aos órgãos reprodutivos da flor.

Tricoca: fruto simples, seco, deiscente, esquizocárpico, que se quebra em 3 partes pré-determinadas, as cocas, cada uma abrigando uma semente.

Umbela: inflorescência com várias flores longamente pediceladas que partem praticamente do mesmo nível do eixo principal, no alto de um pedúnculo, atingindo uma altura aproximadamente igual.

Unguícula: porção afilada da base de algumas pétalas.

Utrículo: pequena vesícula de sucção constituída por folha ou segmento foliar que captura minúsculos animais e microalgas, sugados junto com água para dentro do órgão através de “alçapão” ou “portinhola”; ocorre em plantas carnívoras/insetívoras aquáticas ou de ambientes úmidos.

Verticilada: filotaxia (disposição das folhas no caule) em que a planta apresenta 3 ou mais folhas por nó, com bases em geral afastadas entre si, uma direcionada para cada lado. Cada nó é geralmente distante do próximo.

Volúvel: termo usado para designar a planta com hábito trepador que não possui qualquer órgão especializado de fixação e que, ao entrar em contato com o suporte, enrola- -se nesse, crescendo ao seu redor com movimentos em espiral.